Eu sempre quis escrever crônicas. Acho que hoje em dia ninguém mais lê crônicas…Certo, ninguém mais lê nada hoje em dia, mas escrever crônicas é legal. No sentido de que grandes escritores escreviam crônicas, publicavam semana à semana no jornal e desenvolviam um diálogo no jornal. Tem um ar meio nostálgico para mim, um ar de atividade seleta. Poucos leem crônicas. Menos ainda as escrevem. Tem uma vibe de cult, alternativo.
Mas eu nunca soube começar uma crônica. Quer dizer, não é um artigo, não é uma coluna, não é uma ficção qualquer, não é um relato, não é uma memória. Acho que o gênero que mais define Crônica é Diálogo. O cronista deve estabelecer uma relação com o [suposto] leitor.
Entretanto, todas essas reflexões não resolviam meu problema. Eu continuava sem saber como começar isso! Seria algo como “Bom dia! Agora você está lendo uma crônica, não é legal?” ou “Oi, sou uma crônica, quer me ler?”?
Machado de Assis diz (numa crônica) que o começo ideal é falar do tempo e depois fazer relações e reflexões e aí… tudo flue! Aham, senta lá Machado. Não é tão simples assim.
Porém, eu trago uma boa noticia! Ou muito me engano, ou já estou no quinto parágrafo de uma crônica. Comecei, vim até aqui e já me sinto muito foda, haha. Ok, me desculpem pela linguagem informal e os subterfugios, mas o subconsciente é uma merda. Se ele soubesse que estava escrevendo uma crônica viria me sabotar e falar que eu não conseguiria. E eu estaria muito triste por causa desse bloqueio idiota.
Agora que já enrolei o suficiente vou fazer o óbvio: pedir desculpas por tanto tempo sem postar e pelos projetos abandonados. Considere tudo o que eu escrevi antes de 1º de Abril abandonado (só conta a partir de amanhã).
Mas eu tenho justificativas:
Projeto de Redação: um cara da minha sala foi mandado para fora da aula por causa da redação dele. Eu li o texto, era tosco, mal escrito, e tinha erros de ortografia. Coisas simples estavam escritas erradas! Como… ok, não lembro nenhum exemplo. Mas era um péssimo texto sobre um traficante, uma prostituta e um pênis decepado. Era bem nojento, e não de um jeito literário. Então eu desisti. Não queria ficar no mesmo nível desse cara.
Projeto dos 80 filmes: é o seguinte, não existem legendas para filmes do Egito, do Panamá ou da Costa Rica, por exemplo. E isso fodeu tudo, não falo árabe e odeio entender espanhol. Prefiro ignorar o espanhol. E agora vocês já sabem que não dá pra levar tudo o que eu falo à sério!
E, eu não sei direito quanto tempo fazia que eu postei aqui pela última vez, mas pra mim pareceu um tempo longuissimo. Como meses, anos até. Senti falta disso: esse azulzinho tosco do WordPress, as categorias, as tags, a escrita! Não que eu não tenha escrito nada, mas ninguém leu! E eu descobri que isso me chateia.
Agora, vou escrever crônicas. Se vocês estudarem esse post, vão concluir que até o meio eu estava indo bem e era uma Crônica com C maiuscúlo. Então virou só um post.
Sej lá o que eu for escrever, vocês podem esperar mais. Não com uma regularidade, talvez não melhor, mas mais.
Eu espero. E vou parar por aqui, porque pelo menos eu odeio textos Too Long To Read, e acho que vocês odeiam também.
Henderson
31/03/2010
Um dos grandes cronistas brasileiros, mas que pouca gente lembra, porque foi de certa forma ofuscado por Machado de Assis, foi o José de Alencar.
Suas crônicas “Ao correr da pena” publicadas no Diário do Rio de Janeiro eram as mais lidas de sua época e deram a ele um olhar aguçado da sociedade do RJ na época, o que lhe rendeu depois algumas peças teatrais (outro aspecto pouco lembrado da biografia de Alencar, a propósito) de enorme sucesso, como “Rio de Janeiro – verso e reverso”.
Com tanta gente boa escrevendo crônicas, eu não me arrisco nesse genero literário. Mas você tem a ousadia dos jovens, e eu a felicito por isso. Se você me permite um conselho, acho que você devia dar um nome à sua série de crônicas. Mas nada piegas como “Crônicas da juventude”, por favor.
Boa sorte.
Dex
01/04/2010
Uau, José Alencar escreveu mais alguma coisa fora Iracema! Realmente, nunca li crônicas dele. Os livros de crônicas que eu tenho são do Drummond, do Machado, do Sabino… mas agora você me deixou curiiosa. Quero um livro de crônicas do Sabino.
“Crônicas da Juventude”, hahaha. Pode ficar tranquilo, é mais fácil serem crônicas do comunismo que da “Juventude”.
Ilton Alberto Junior (@iltonjr)
02/04/2010
Nunca consegui escrever uma crônica. Até hoje não entendo muito bem o que exatamente define um texto comum de uma crônica. Mas você se esforçou pra fazer e reconheço.
Ok, não ajudei muito
Also, textos Too Long To Read são legais quando prendem o leitor ou quando a pessoa que escreve sente que deve abordar mais. Vide meus textos do posterous, que conto exatamente algo que acontece na minha “unsocial life” e tento abordar fatos E o que eu sinto sobre aquilo.
Não acredito que meus textos possam ser chamados de crônicas. Se alguém falar isso, não irei contrariar. Quem sabe eu escreva um livro contando minha vida, com0o no Posterous